top of page

Isolada no terraço com a autoestima



Já era tarde da noite quando resolvi sentar um pouco no terraço. Naquele dia, só havia tido contato com algumas pessoas por videochamada em função do trabalho. Uma brisa suave jogou meu cabelo para o rosto, e senti instintivamente que já há algum tempo não sinto fisicamente a presença daqueles que fazem parte da minha vida.


Os abraços e os carinhos estão limitados. Apesar de uma falsa sensação de que temos mais tempo, mesmo assim não encontrei ninguém em meus recados que pudesse estar preocupado comigo. Ou com saudades.


E estes pensamentos e emoções,conectados com a solidão e com a intenção de tentar me sentir autossuficiente, me fez recordar sobre todos os momentos em que tive que deixar a autopiedade de lado e fazer algo por mim mesma. Em termos de obter forças, de amparos, de solucionar problemas, de lidar com a dor.


Mas também de me apreciar, de me sentir especial, de admirar a pessoa na qual me tornei. O vento bateu mais forte desta vez, e de repente me dei conta novamente que eu estava ali somente na minha presença. Mas, que apesar de vivenciarmos vários momentos tendo apenas que contar com a gente mesmo, por mais que estejamos em outras companhias, somos os únicos que sempre estaremos 24 horas podendo nos abraçar.


Não haverá ninguém, que estará maior tempo conosco. Sou eu sempre comigo, sabendo exatamente quem são minhas virtudes e sofrimentos. 


No terceiro soprar do vento, ajeitei meu casaco e resolvi me abraçar. Quando me abraço, sei exatamente qual o tempo e a pressão que devo exercer sobre mim. E naquele momento, percebi que este isolamento permite que eu me abasteça de mim mesma, para que assim que tudo isso passar, eu tenha o que oferecer as pessoas e ao mundo...Se abraça! 


Psicóloga Fabiana Witthoeft- CRP 08/08741

Comments


bottom of page