UM CHAMADO A TODA SOCIEDADE PARA COMBATER O CORONAVÍRUS
- Jornal do Juvevê
- 1 de jul. de 2020
- 6 min de leitura

Todos sem exceção acompanham espantados os avanços do coronavírus no Paraná e no Brasil, preocupados com as ações de controle e com a busca pelo fim da pandemia todos também estão. Porém, a responsabilidade maior por dar respostas de como se organiza o combate ao vírus e pelo tamanho de suas conseqüências serão os Governos Brasileiro e do Estado do Paraná.
Isso não quer dizer que setores não governamentais do Estado não tenham responsabilidade sobre os desdobramentos da crise, até por que estamos falando não somente de crise sanitária, estamos falando de vidas perdidas e que não se ressuscitaram com as medidas unilaterais e tardias que foram tomadas ou que deixaram de ser tomadas pelas autoridades governamentais, durante esse momento de pandemia que nenhum de nós enfrentou em nenhum momento de nossa história, salvo as pessoas que já ultrapassam um centenário de existência, o que ainda é um número muito pequeno pelo menos no Brasil e no Paraná.
Nesse sentido pensamos que todos têm responsabilidade pela busca da saída da crise sanitária em que nos encontramos. Entidades de classe, entidades representativas, entidades associativas, instituições não governamentais, cidadãs e cidadãos brasileiros.
Nossa leitura do atual momento pandêmico insiste que todos precisam dar sua parcela de contribuição para tentar sair da crise o mais rápido possível, mesmo que isso signifique que a contribuição seja no sentido de dizer alto e em bom som ao presidente, governadores, prefeitos, secretários estaduais e municipais de saúde que o risco de contágio ainda é muito alto e que a cursa do Coronavírus é ascendente no Brasil e em muitos lugares do Paraná.
Assim necessário que se mantenham as medidas drásticas de isolamento, inclusive com onde a adoção de “lock down” que se adote. Só funcionando de fato o que é necessário, ou seja, que são de fato essenciais para a sociedade e para os trabalhadores através de suas entidades de representações, as centrais Sindicais, Federações e Sindicatos. As Centrais e suas entidades já têm feito isso de forma sistemática de acordo com inúmeras ações construídas nesses tempos de pandemia perfilando-se com as posições expostas e faladas diuturnamente pelas autoridades sanitárias e de saúde que orientam a todos a necessidade de ficar em casa e quando não for possível usar obrigatoriamente máscaras e tomar todos os cuidados necessários para evitar o contágio.
As centrais sindicais e suas entidades filiadas compreenderam desde o inicio e adotaram como medida real a defesa de uma das únicas que podem salvar vidas que é o isolamento social, como a real possibilidade de poder enfrentar o vírus enquanto não surgir uma vacina.
E não somente isso, elas estão num processo constante de dialogo com as autoridades para propor adoça e a organização de alternativas para combater o vírus no Brasil e Estado do Paraná. Em diversos Estados já se construíram e aqui no Estado temos feito diversas provocações ao governo do Estado, que ainda não foram atendidas para que seja o movimento sindical chamado para compor os comitês de cries que possam apontar caminhos conjuntos para que superemos essa doença terrível que assola o mundo, o Brasil e o Paraná.
Chegamos a uma constatação política e histórica que pior que combater o vírus é combater e as posições expostas pelo governo Bolsonaro com relação ao vírus aliado a ganância e ao egoísmo do grande empresariado nacional e paranaense. Que não conseguem enxergar um milímetro a sua frente o que não é, ou não seja lucro. Somente se chegou a esses índices alarmantes da doença por que não pensa esse empresariado no futuro, não pensa esse empresariado na vida e nos empregos de milhões de paranaenses que podem vir a viver abaixo da linha de pobreza e sem dignidade alguma, se não resolvermos enfrentar juntos e de forma altruísta esse momento. Por certo se houvesse por parte de todos um olhar fraterno e solidário para a situação de penúria em que vivem milhões de famílias nos dias de hoje. E se a partir desse olhar fossem tomadas iniciativas sérias de contenção do vírus poderíamos encurtar em muito o sofrimento das famílias que perdem dia após dia seus entes queridos.
O movimento sindical desde o momento em que a pandemia começava a ganhar corpo no Brasil e no Estado do Paraná se dispôs a conversar e a fazer parte da resolução do problema, pois é o movimento sindical que tem as possibilidades concretas para traçar um diagnóstico mais lúcido e concreto, sobre qual é a verdadeira situação da pandemia dentro das categorias profissionais no Estado. E sendo coerente a isso tem insistido permanentemente que no âmbito do governo como atores importantes que são do cenário político que precisam ser ouvidos e fazer parte dos comitês de resolução de crise e dos apontamentos para que consigamos combater rapidamente a pandemia nas categorias onde o ritmo de contagio cresce descontroladamente.
Temos claro que se não houver uma conscientização política da importância do isolamento social o Paraná e seus municípios vão sofrer muito ainda com a pandemia. Por outro lado se dermos as mãos, se abrirmos dialogo franco e deixarmos os interesses imediatos de lucro de lado, terá condições objetivas de traçar planos consistentes de isolamento e de planejar o achatamento da curva de contágio no Estado.
Nesses últimos tempos as iniciativas que temos tomado por parte do movimento sindical como um todo caminham no sentido de traçar um diagnóstico preciso de como estão sendo atingidas as categorias e ramos de atividade do Paraná. E nesse diagnóstico de diversos problemas tem aparecido e eles não são operacionais, pelo contrário são de falta de compromisso com a saúde das trabalhadoras e trabalhadores, pois pecam em questões que já estão apontadas e superadas por muitos países, e mesmo internamente por muitos
Estados do Brasil. Que vão desde a falta dos Instrumentos básicos de proteção individual - IPI´s até a sobrecarga de serviço das trabalhadoras e trabalhadores da saúde e também de diversos setores da economia, pois o fato de as atividades estarem controladas e reduzidas tem sobrecarregado os que acabam ficando com a responsabilidade de dar conta do trabalho nos setores ditos e considerados “essenciais”. Isso sem falar na desalmada ganância dos patrões que não se importam se seus funcionários têm ou não condições de manutenção, de deslocamento do trajeto de casa ao trabalho, com alternativas que lhe garantam o bem estar e o não perigo de contagio.
Nesse colosso de problemas que o Coronavírus trouxe para o mundo, veio também a verve da solidariedade, mas no seu sentido mais mesquinho para os grandes grupos empresariais que tem mais condições de doar, mas o fazem para poder disputar a hegemonia do papel do Estado. Ou seja, a Pandemia derrubou por terra a teoria que buscava se implantar de “Estado mínimo”. Por que como acontece sempre nos períodos de crise o capital não arca com as suas responsabilidades, quando precisa responder aos problemas chama o Estado para resolvê-los, vide o exemplo da crise de 2008 para que o capital não sucumbisse. Foram aventadas e em alguns lugares foram concretizados processos de estatização de empresas e pasmem, até propostas de estatização de grandes bancos foram aventadas durante aquela crise de 2008. Alguns economistas e ideólogos e entusiastas do capital já falam por aí que abandonaram a tese de Estado mínimo e passam a reconhecer inclusive o papel do Sistema Único de Saúde na pandemia, que apesar do sucateamento histórico que sofreu, foi quem conseguiu segurar para que a crise sanitária do Coronavírus não fosse ainda mais catastrófica do que já esta sendo para o Brasil.
Posta essa consideração de classe e nós do movimento sindical não a negamos. Mas temos a clareza de quem sofre com a pandemia de Coronavírus são os mais necessitados, os mais fragilizados, as trabalhadoras e trabalhadores e o povo, que sempre vê a corda estourar em seu lombo para que os patrões e empresários tenham a manutenção de seus lucros. Por isso nos dispusemos a fazer a flexão tática na luta de classes, para propor a trégua sociológica em busca de amenizar o sofrimento das trabalhadoras e trabalhadores com essa a doença que devasta países. Compreendemos que é preciso altruísmo de classe, de todas as classes para que vençamos esse mal do século XXI que é o coronavírus.
E isso só será possível se conclamarmos toda a sociedade para juntos enfrentarmos o vírus. Reforçando as ações das autoridades sanitárias, de fato aplicando os protocolos de saúde, de proteção da vida e dos empregos, com a manutenção da dignidade das pessoas, defendendo o fácil acesso as políticas de renda e ou ao auxilio emergencial que, diga se de passagem, só é do valor que é por força e pressão por parte das centrais sindicais junto ao Congresso Nacional que buscavam o valor de um salário mínimo e nas negociações com o Congresso consegui manter o valor em R$ 600,00 reais. Por que se dependesse a dupla dinâmica Bolsonaro/Guedes não teríamos nem um terço desse valor, pois eles propunham um auxilio emergencial de apenas R$ 200 reais. Ou seja, seria impossível que as pessoas que viessem a necessitar da ajuda pudessem sobreviver com dignidade com uma ajuda de custo tão baixa.
MARCIO KIELLER
PRESIDENTE DA CUT/PR E MESTRE EM SOCIOLOGIA POLÍTICA PELA UFPR
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