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O GOVERNO DE BOLSONARO E AS OUTRAS PRAGAS



Na história do nosso país não temos conhecimento de que aconteçam as mazelas que acontecem em outros lugares do mundo, mazelas muitas vezes denominadas de pragas. A não ser uma que os governos democráticos e populares de Lula e Dilma conseguiram erradicar durantes seus mandatos, a fome.


Não pelo menos até o presente momento. Pois nos últimos tempos parece que as pragas e estes apocalípticas, inclusive à fome resolvam aterrissar por aqui. E coincidentemente após as eleições de 2018, ano da eleição de Bolsonaro, como fruto de uma tragédia anunciada de derrocada da direita que vinha se repetindo por quatro eleições seguidas e teve o ciclo interrompido por um golpe institucional e parlamentar que condenou uma presidente honrada e digna a um impeachment injusto. Tão injusto que tempos depois uma própria comissão interna do Senado Federal admitiu e reconheceu que não havia crime que tivesse justificado o processo contra a presidenta. O que nos leva a compreender e reforçar nossa percepção que ela sofrerá um golpe, com supremo com tudo como falou um deputado que tempos depois viria a ser homem forte no governo ilegítimo de Temer que sucedeu a presidenta Dilma, o Ex-Senador Romero Jucá. Esse “Com supremo com tudo!” nos remeteu para um governo que supostamente começaria a devolver o Brasil para aqueles grupos políticos que sempre dele se locupletaram.


Historicamente esses grupos políticos tradicionais e conservadores voltaram a usurpar os direitos do povo brasileiros a começar com medidas como a terceirização sem limites e de serviços de forma indiscriminada, ou com a mudança da política econômica, iniciando as reformas trabalhistas com ataque a organização sindical, além de sistematicamente descontinuar programas sociais importantes, senão pelo seu fim como foi o do programa Ciências Sem fronteiras ou por seu congelamento e descontinuamento sem reajustes e ampliação dos programas de inclusão sociais, como os programas Bolsa Família que estavam atendendo não aos grandes empresários, industriais e banqueiros, mas sim atendendo ao povo mais sofrido do Brasil as trabalhadoras e trabalha odores e aqueles que sofreram com a decretação da suposta "recessão técnica" que nos conduziu a crise política e econômica.


Com o processo da Eleição de 2018 que elege através de manobras midiáticas, como deixar o líder das pesquisas à época fora do processo eleitoral, para eleger o candidato do mercado que só passou a ser Jair Bolsonaro quando o mercado jogou a corda do seu candidato original, Geraldo Alckmin que era para ser um candidato de centro e podia florescer como o candidato do mercado dando a certo candidato velho, nova roupagem que era o discurso tucano para que fosse elevado ao topo das pesquisas, com a suposta briga radicalizada entre a esquerda e a direita, no caso da esquerda e da extrema direita. Tentativa que se mostrou frustrada por que a sociedade no seu grau de amadurecimento tinha concepção e discernimento para escolher entre o que estava lhe ajudando ou não.


Vendo que a eleição mesmo com as artimanhas midiáticas e jurídicas lhe escoriam pelas mãos os representantes do mercado dão uma guinada para a extrema direita e com fakenews e também com a “facadanews” colaboraram com a potencialização de Bolsonaro que era visto com uma zebra no processo eleitoral. Daí então passam a potencializar sua campanha como contraponto da esquerda estigmatizada por setores conservadores que haviam sido desalojados do poder em 2002. Por isso se juntaram a única possibilidade viável de levar o jogo eleitoral para o segundo turno e ganhar as eleições, com isso promovendo o ódio e a radicalização política. Mas com essa influencia no jogo eleitoral e pela influência da grande mídia financiada por esses setores conservadores conseguiram levar a eleição para o segundo turno. Através de uma campanha calcada em robotização das redes sociais conseguiu fazer o azarão Bolsonaro ganhar as eleições no segundo turno contra o professor e ex-ministro da Educação e ex prefeito de São Paulo Fernando Haddad do PT.


Daí para adiante o Brasil passa a viver a visitação constante das antigas “Pragas do Egito” celebre lenda bíblica que retrata as pragas que se abateram sobre o antigo Egito para punir cada um dos deuses egípcios pelo Deus único de Moisés.


A começar pelo próprio Bolsonaro que ao longo de quase dois anos de seu governo além de não ter uma perspectiva social clara e definida por que é um governo voltado a atender apenas aos interesses do grande empresariado, dos banqueiros e do agronegócio. Setores esses que foram contribuintes de sua campanha. Alguns que investiram somente na reta final como dissemos, mas investiram pesado. Ou seja, o governo Bolsonaro é para muitos, principalmente aqueles que mais precisam da presença do governo a partir de construção de políticas de estado, a pior coisa que aconteceu na política Brasileira nas últimas décadas. Por diversos motivos a começar por sua ignorância, mau trato e intransigência política através de um viés de discursos e práticas violentos e de viés fascista para muitas questões sociais e de educação. Como havíamos dito pelo esvaziamento de programas sociais, a fome volta em grande escala no Brasil, que havia sido praticamente erradicada no governo democrático e popular desenvolvido no governo Lula, o FOME ZERO. Também a voltam as secas em lugares do Brasil continental que não são habituais em outros lugares e enchentes. A que pese e se destaque que esses dois fenômenos da falta ou do excesso de água não são exclusividade dos atuais habitantes do Palácio do Planalto e do governo Central, mas contribuem para lógica argumentativa e da narrativa do artigo.


Porém as Pragas climáticas que se abatem sobre o nosso país são agravadas pelas queimadas e fogo oficial que não respeitam o meio ambiente e só atendem os interesses dos coronéis do campo, fazendo com a que a florestas padeçam desse mal, que são agravados pelas secas do período. Inclusive com uma postura totalmente anti-republicana e deverás criminosa do Ministro do meio ambiente, Ricardo Sales aproveitando se da praga do coronavírus tenta "fazer passar a boiada" implementar uma legislação ambiental que não respeita os povos das florestas, muito menos as próprias florestas e os rios. E ao mexer com o meio ambiente contribuí para o surgimento de outras pragas que o Brasil não costumava ter como terremotos em alguns lugares do nordeste, tempestades e ciclones fortíssimos que acometeram a região sul do país. Além da gigantesca nuvem de gafanhotos que ameaçou entrar pelo Rio Grande do Sul há poucos dias. Ou seja, o país passa a ser assolado pela praga política que é o governo Bolsonaro e atingido pelas pragas ambientais e naturais.


Afetado por todas essas alterações climáticas e ambientais ganham destaque soma se ao descaso com que trata o governo de Bolsonaro à pandemia mundial do Covid-19 coronavírus, a praga mundial desse inicio de milênio. Que infelizmente pela irresponsabilidade do mandatário maior chega a índices alarmantes sendo o segundo maior número de casos e de vitimas em todo o mundo, com tendência de aumentar e se agravar ainda mais se não houver uma mudança de cento e oitenta graus a postura com relação à doença por parte do presidente. Muitos inclusive dentro do próprio ministério da saúde não concordam com a forma que o Bolsonaro encara a pandemia, o que já levou a troca de dois ministros da saúde em seu governo durante a pandemia. A lógica de preservar CNPJ e não salvar vidas é o que o presidente cegamente persegue na ânsia de dar resposta à lógica privatista e de extrema direita que estampa sua gestão.


Essa postura terá conseqüências muito sérias começando pelo número de mortes que podem da forma com que o governo encara a situação ultrapassar os cem mil mortos, vou escrever numericamente para não restar dúvidas, ou muda a postura ou o presidente terá como legado uma pandemia que vitimará muito de mais de 100.000 pessoas no Brasil, em sua maioria pobres e necessitados, pois os ricaços de plantão têm ao seu dispor planos de saúde e hospitais de referências no Brasil. Por enquanto quem tem segurado a situação de ser muita mais grave durante a peste de coronavírus é o Sistema Único de Saúde, que apesar de se encontrar desestruturado, pois se preparava a sua privatização, e infelizmente a privatização nos países do chamado terceiro mundo acontecem assim, através de enxugamento, demissões e desestruturação. Mas a chegada do vírus fez com que muitos mudassem a lógica privatista de estado mínimo, para uma lógica “bem estar social”, ou seja, enquanto a saúde poderia ser apropriada como fonte de lucro para poucos, como oportunidade de negócios, a privatização do sistema interessava, agora que é o instrumento que pode evitar que a pandemia seja pior do que se espera o capital interessado some e diz que a saúde é papel do estado. Mas a realidade demonstrou e reafirmou o papel tanto do SUS como de um estado presente para atender aqueles que de fato necessitam.


E no meio de tantas pragas que nos remetem as pragas bíblicas chega se a conclusão que a pior das pragas, foi ascender ao poder político da nação um líder sem preparo, que foi elevado à presidência pelo medo infundado de poucos que tem muito em repartir as riquezas e as boas condições de vida com muitos que tem muito pouco, em muitos casos não tem nada. Mesmo quando os governos democráticos e populares que passaram pelo Planalto, esses poucos não deixaram de ganhar muito, mas lógica do capital é a ganância, é o quanto mais tem mais quer. E isso esses grupos políticos conservadores e retrógrados a conduzirem ao poder o Presidente Bolsonaro destinaram a ele a responsabilidade do que resultar do pós-pandemia de coronavírus.


Ou brasileiras e brasileiros democratas, trabalhadoras e trabalhadores se juntam nessa cruzada nacional e popular contra as pragas que se abateram sobre o país e tiramos a maior delas, o governo de Bolsonaro, através do impeachment ou corremos de sofrer muito ainda com a perda dos nossos e com agravamento dessas pragas, como o coronavírus, a fome, a sede, as enchentes, as secas, as queimadas, os ciclones, as nuvens de gafanhotos, as tempestades, o ódio de classes e o descaso político.

MARCIO KIELLER

PRESIDENTE DA CUT PARANÁ E MESTRE EM SOCIOLOGIA POLÍTICA PELA UFPR

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