top of page

CURITIBA MERECE ALGUÉM QUE A RESPEITE E TRABALHE PELAS PESSOAS



Perto de mais uma eleição para que eleger nossos representantes diretos nas Câmaras de Vereadores e nas prefeituras por todo Paraná. Elegeremos as pessoas que irão cuidar das nossas cidades nos próximos quatro anos. E para isso é fundamental que enquanto cidadã e cidadãos que tenhamos nossos olhares voltados a quem está à altura dos desafios que as cidades têm. E para nossa querida e amada cidade Curitiba não é diferente.


Antes de qualquer coisa precisamos entender que vivemos um tempo impar para a história do mundo, para o país e para as cidades devido à pior peste sanitária do inicio do milênio que já ceifou muitas vidas mundo e no Brasil. E diferente do que acontece em todos os países do mundo onde os comandantes políticos são os primeiros a se preocupar com a vida, com a saúde, os empregos, os direitos e a dignidade das trabalhadoras e trabalhadores.


Uma constatação importantíssima é que não basta somente que alguém vocifere o amor por Curitiba. Isso é válido e necessário, mas não basta. Pois Curitiba precisa mais que somente a exaltação histórica e demonstração de conhecimentos pelos detalhes literários que a cidade tem durante toda a sua existência desde o seu descobrimento e passo iniciais como a Vila de Nossa Senhora da luz dos Pinhais. Passou se o tempo que somente isso bastava para eleger um prefeito ou vereadoras e vereadores para a nossa cidade. Hoje é fundamental que os que postulam estar à frente do executivo municipal de nossa cidade demonstrem muito mais que o amor, é necessário que demonstrem preparo técnico e administrativo e história para responder as demandas do povo Curitibano. É preciso ir além do concreto. É preciso captar o que todas as pessoas da cidade precisam e esperam de um gestor.


Longe de ter um olhar periférico e simplesmente lírico sobre a cidade. Olhar este por vezes que está voltado somente para as coisas que funcionam e dão certo na cidade e está que geralmente está no centro da cidade. É preciso o olhar para cidade toda e não somente os bairros onde vivem os mais abastados, mas é preciso o olhar para as periferias. E esse olhar tem que ir além de expressar unicamente o sentimento de amor pela cidade, mas que se estenda esse olhar e principalmente se debruce sobre os problemas que a cidade e seus 75 bairros têm. Sim por que é isso que precisa ser olhado nessa conjuntura e o momento eleitoral dá a oportunidade única de que os projetos para a cidade estejam concatenados em resolver essas demandas históricas da cidade, que muitas vezes são de fácil resolução, basta ter vontade política, compromisso social e capacidade de dizer não aos grandes grupos econômicos que geralmente são os que dizem quais são os rumos administrativos que a cidade tem que seguir, aos menos é essa a triste realidade de das últimas administrações, mesmo as que tiveram um viés mais democrático.


Opor-se aos interesses dos grandes grupos econômicos e a famílias tradicionais que historicamente que dominam a política na cidade de Curitiba a tempos apresentando um projeto político eleitoral diferente de tudo o que já se viu para administrar a cidade, que coloque as pessoas em primeiro plano. Que coloque a perspectiva de construção de um futuro promissor para nossas crianças e jovens, que coloque no centro desse projeto a igualdade entre as cidadãs e cidadãos de nossa cidade. Somente assim as pessoas poderão entender que a cidade é mais que o concreto e as ruas asfaltadas periodicamente, não que seja importante asfaltá-las. Mas o que vemos hoje em dia de uma forma meramente eleitoreira é asfalto em cima de asfalto.


O que foi inclusive facilitado pela pandemia de coronavírus, pois a administração da cidade aproveitou a cidade vazia e recapeou somente os locais da cidade onde se tem visibilidade. Sim, infelizmente é o que é feito na Curitiba de hoje as benfeitorias de somente são feitas onde é visível e dá ibope. Ou seja, somente atendem a visão dos ricos e a passam na tevê como se os benefícios fossem para toda a cidade, mas não são. Pois somente quem é atendido por essas obras são os moradores ricos e os moradores dos bairros nobres da cidade e assim o prefeito fica de bem com as empreiteiras e com os grupos econômicos e políticos que o apóiam. Ou seja, garante o apoio desses e do mercado para seus objetivos mais diretos que incluem a reeleição. E para que isso aconteça se dobra as empresas de transportes dando subsídios milionários para que as empresas “enfrentem” a pandemia de coronavírus, coroando a lógica do mercado que em detrimento de CPF´s é preciso salvar CNPJ´s, sim está tem sido a prática da administração da cidade, ao fazer mais concessões ao capital do que respeitar a vida das pessoas seguindo as regras das autoridades sanitárias mundiais de manter o isolamento social, principalmente num momento que todo o sul do país sofre com o aumento diário de casos e de óbitos.


Por isso é que infelizmente aumento descontrolado da pandemia que acontece em nossa cidade se deve à falta de firmeza na condução do enfrentamento da pandemia e a sessão muito maior aos anseios, vontades e interesses do capital do que ouvir a razão cientifica das autoridades de saúde mundiais que através da Organização Mundial da Saúde – OMS, que orientam que o melhor e mais eficaz para enfrentar a essa pandemia ainda é o isolamento social. Ao do contrário do que acontece pela pressa e a pressão forte dos patrões e donos de comercio pela volta do funcionamento do comércio na cidade e no Estado. Sendo que se observa nesse longo tempo de pandemia é que não conseguimos um efetivo isolamento na nossa cidade e que a busca pelo novo normal não se encaminha pensando no bem comum das pessoas e sua saúde.


Um momento diferente como este que enfrenta toda a humanidade precisa ser enfrentado com responsabilidade das grandes lideranças e estadistas. Mas no Brasil o contrário acontece onde mandatário é o primeiro representante do capital e, para completar é um fervoroso adepto do negacionismo cientifico e armamentista, como se pudéssemos pegar uma arma e aponta para a cara do vírus e resolver tudo na bala, como pensa o presidente Bolsonaro que espero terá um julgamento político e histórico pelo descaso com que trata a doença que acomete o mundo todo e que inevitavelmente em poucos dias chegará ao número de 100.000 mil vidas ceifadas no Brasil. E pela lógica da ganancia acaba influenciando representantes de governos e de prefeituras, como o governador do nosso Estado do Paraná e o prefeito de Curitiba entre alguns outros que o melhor caminho é efeito contágio de manada ou de rebanho como dizem os infectologistas, que consiste na contaminação em massa para que não se tenha efeitos grandes efeitos sentidos na economia a longo tempo, ou seja, entregasse vidas dezenas de dezenas de milhares de vidas em nome de salvar a economia.


Somente alguns poucos países apostaram nesta lógica, mais exatamente os governo três países no mundo acreditam nisso: A Inglaterra, os Estados Unidos e o Brasil. Lógica que se demonstrou desastrosa em outros países que tentaram a experiência e tiveram que mudar radicalmente de posição e passar a adotar as regras da OMS. Continuam nessa toada ainda, mesmo com setores sociais internos exigindo mudança, os Estados Unidos desgovernado por Trump e o Brasil desgovernado por Bolsonaro. O segundo influenciado quase que imbecilmente pelo primeiro, que nos influencia pessimamente, pelo simples fato de que além de ser o país com o maior número de casos e de vitimas da Covid-19, tenta a pachorra de dizer que o problema não são eles, mais o Brasil. E por mais que emita frases que expressa o quanto Trump insulta e desqualifica o Brasil, isso não afeta um milímetro da fidelidade canina que Jair Bolsonaro demonstra por ele. Coisas que infelizmente só a lógica do capital, do lucro e da ganância consegue explicar. Pois o capital leia-se o mercado tem isso intrínseco em sua natureza, do quanto mais lucro têm mais lucro quer ter.


Zona de conforto própria dos capitalistas em desconsiderar o papel de um estado forte e presente na vida das pessoas e nas políticas públicas, pois buscasse justificar o desmonte das estruturas administrativas, passando para a iniciativa privada coisas que são papel e dever do Estado. Para facilitar esse discurso usam o argumento que as máquinas administrativas são problemáticas e pouco eficazes para estarem presentes em alguns setores importantes da vida em comunidade. Ou seja, o argumento é o da privatização, que inverte politicamente e a natureza e o significado das próprias palavras, por exemplo, a palavra social, de sociedade de igualdade, ou mesmo, a palavra comum, de comunidade de coletivo têm seus sentidos desqualificados pelo marketing político que deixa mais atrativo e simpático aos ouvidos das pessoas a palavra privatizações, que é usada como argumento para a redução do papel e das políticas públicas e das obrigações dos gestores, aumentando a falta de compromisso com a educação, o saneamento, a energia, transporte e a própria saúde, esses temas que dão lugar a pressão dos acionistas pelo pagamento de juros da divida pública, deixando os credores ricos dessa “divida pública” mais ricos e os pobres mais pobres e necessitados de uma cidade, estado ou um país que trabalhe para eles.


Karl Marx pensador iluminista e humanista e mesmo um economista de grande estirpe que mudaram radicalmente a história do pensamento econômico da humanidade, como John Maynard Keynes se remexeriam em seus túmulos se estivessem diante de tais situações política e econômica onde os CPF´s, ou seja, a vida das pessoas é considerada menos importantes que CNP´Js, negócios e empresas. O primeiro por idealismo e pensamento altruísta e socialista e o segundo pelo pensamento tático de sobrevivência do próprio capitalismo, pois já havia compreendido no após crash de 1929 que se o capitalismo autofágico e selvagem não fizesse um parêntese de tempo em sua ganância e cedesse um pouco de bem estar social o sistema capitalista ruiria e seria engolido pelo pensando da filosofia socialista que ganhava enorme terreno na União Soviética e no Leste Europeu com a Revolução Socialista de 1917.


Agora voltando para a nossa realidade que se avizinha as eleições municipais, teremos um terreno fértil para o bom debate político, pois muitos conceitos sociais e filosóficos terão que ser revistos por aqueles que se colocaram para disputar os corações e mentes durante o processo eleitoral para chegar à prefeitura da Cidade. Além da discussão das cidades como um todo para além do concreto, será necessário o preparo e a disposição de governar para as pessoas. Afinal, as pessoas querem mais do que um gerente na prefeitura, ou um amante da cidade, as pessoas querem para Curitiba mais que uma pessoa que exalte o seu amor por Curitiba. As pessoas querem alguém que tenha um histórico e um currículo de lutas e serviços prestados à cidade e, também esperam que essa pessoa trabalhe pelas pessoas e não pela simples manutenção do concreto ou pelo recapeamento do asfalto esporadicamente. Uma pessoa que compreenda que administrar Curitiba é muito mais que isso. Que compreenda que é necessária uma concepção universalizada da cidade como bem necessário a todas e todos que nela vivem e que entenda e faça funcionar o mecanismo altruísta de integração entre as pessoas que nela vivem e precisam que o aparato administrativo da cidade possa lhes servir de forma justa, fraterna e solidária sendo uma administração de todas as curitibanas e curitibanos.

MARCIO KIELLER

PRESIDENTE DA CUT PARANÁ E MESTRE EM SOCIOLOGIA POLÍTICA PELA UFPR

O Artigo assinado não representa necessariamente a opinião deste site

Comments


bottom of page