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AGOSTO O MÊS DOS GRANDES DESASTRES HISTÓRICOS NO BRASIL - 100.000 MIL MORTES POR CORONAVÍRUS



O mês de agosto é tradicionalmente o mês das tragédias políticas e históricas no Brasil. E este mês de agosto de 2020, começou fervilhando na política e infelizmente na vida das pessoas de muitas famílias, pois é o mês que o Brasil baterá ainda nos seus primeiros dias a casa dos mais de 100.000 mortes de mulheres, homens, idosas, idosos, moças, moços e inclusive jovens e crianças que perderam a vida por causa da pandemia de coronavírus, o covid-19 no país.


Este número trágico que todos os médicos e cientistas, não que não tem formação negacionista e fascista sem exceção, dizem que muitos milhares de mortes poderiam ser evitadas se tivéssemos conduzindo o país um presidente sério e politicamente capaz e de um planejamento eficiente para combater a doença. Inclusive, utilizando se de métodos, procedimentos e protocolos que outros países que tiveram grande número de mortos e infectados possam ter tido e com esses procedimentos ajudaram a conter o avanço do coronavírus nesses países. Ásia e a Europa nos deram uma dimensão do que se tratava o vírus antes que ele ganhasse força e atingisse todos os continentes do mundo, inclusive, antes mesmo de o vírus ganhar força nas Américas. Muitos países fizeram a lição de casa, a própria china que apesar de ser o maior país do mundo esta entre os países que contam com menos casos e também o menor número de mortos.


Mas infelizmente o presidente eleito, frise-se, como de um fruto do golpe político e institucional acontecido em agosto de 2016, não demonstra a menor capacidade de tocar e ser a liderança do país. Pois a economia não é com ele, é com o Guedes, como ele próprio sempre afirma: O que Guedes fizer está bem feito. Na área da saúde pior ainda são os chavões que vão de desde o: “Isso aí é só uma gripinha”, passando pelo não “Eu não sou Coveiro.” O que inclusive demonstra além do despreparo um desrespeito enorme pelas profissões das brasileiras e brasileiros, até o mais recente: “E daí?! Quer eu faça o quê?” ou ainda,” Infelizmente alguns vão morrer, mais é vida que segue.” Sim isso é verdade, afinal, se não fosse à postura continuamente irresponsável do presidente de negar a pandemia enfrentar as autoridades sanitárias, inclusive de seu próprio governo poderíamos ter uma situação bem diferente no combate a pandemia e ao número de casos e de mortes.


E a contradição é tanta e, como estamos em ano eleitoral, ou seja, esta aberta à temporada de fortalecimento eleitoral das lideranças de todos os campos que já começaram a fazer propaganda. E com o dinheiro do contribuinte o Ministério Saúde é mais um a tentara capitalizar politicamente para tentar obter retorno nas eleições municipais de 2020. Assim, o Ministério da Saúde tenta vender à mentirosa imagem que está presente no combate a doença e dizendo o que “investiu” em equipamentos, respiradores e EPI´s destinou recursos enormes para o combate ao vírus nos estados e municípios. O que sabemos não ser verdade. Por que o que vimos durante esse processo todo é que o executivo, não deixou o ministério trabalhar. A começar pela própria demissão do antigo ministro Henrique Mandetta que era dentre os governistas um dos poucos do desgoverno Bolsonaro tinha um resquício de bom senso, até por ser médico e acreditar que as normas internacionais e as orientações da Organização Mundial da Saúde, a OMS estavam corretas para aquele momento onde o melhor caminho era o isolamento social para se evitar o avanço da doença no país. E acredito que um dos principais motivos da sua demissão está na postura que o ministro teve em relação a sua defesa do Sistema Único de Saúde o SUS e do papel que o sistema estava cumpria na linha de frente no combate ao vírus.


Depois Henrique Mandetta o Ministério virou uma verdadeira e desencontrada bagunça, veio para o lugar do antigo ministro e também médico Nelson Teich extremamente ligado ao mercado e aos planos de saúde, com uma cara de sonso e dorminhoco, a quem o presidente praticamente ignorou, tomando atitudes e ações totalmente erradas politicamente em relação ao vírus e que o ministro Teich ficou sabendo pela imprensa e não pelas autoridades do executivo, tamanho era o desdém e o desrespeito do presidente com a questão do vírus.


Mas essa posição de bater frente contra a OMS do presidente que se alinha pura e somente com um dos únicos que também contrariava essas orientações sanitárias mundiais que era Donald Trum. Ou seja, o próprio mandatário que não gosta de usar e muitas das vezes não usava máscaras no meio das pessoas. Tenta em nome do mercado, desmontar a logística construída para o isolamento social nas cidades e estados brasileiros. Antes mesmo de toda essa pandemia já se previa e se esperava por uma crise econômica que vinha sendo anunciada mesmo antes da chegada do vírus ao Brasil. Fruto da política que impera no planalto um presidente que assume publicamente que de economia nada entende, falando textualmente: “Isso aí, eu deixo para o Guedes”, o “super-ministro da fazenda e da economia” de seu governo, que foi indicado, mas não escolhido por ele e sim escolhido a dedo pelo mercado oligarca, privatista e entreguista e também pelos grandes banqueiros e empresários que esperam dele fielmente como ele tem feito. Aplicação de uma política de redução drástica do tamanho do estado, com a aplicação de um estado mínimo e a implementação do desmonte do Estado brasileiro, no formato que vigorou nos anos de Fernando Collor de Mello e de Fernando Henrique Cardoso - FHC e que teve uma drástica interrupção durante os dois governos democráticos e populares de Luís Inácio Lula da Silva e dos dois governos de Dilma Rousseff.


Nesses governos democráticos e populares passou a vigorar outra concepção de Estado, onde o estado estava presente na vida das pessoas, principalmente para as que mais precisam. Desta época sobrevive ainda apesar das constantes tentativas de desestruturá-lo e fatiá-lo para vendê-lo o SUS, fundamental para que a tragédia do coronavírus não fosse ainda pior do que é. Pois somente aonde há algo no mínimo parecido com o SUS é que existe resposta rápida e efetiva de combate ao vírus, apesar da violência com que o coronavírus avança por cima dos países.


E no Brasil, ter esse sistema foi fundamental, pois senão estaríamos diante de uma tragédia apocalíptica ainda maior. Mas o SUS demonstrou sua eficácia e muitos, inclusive ideólogos da direita, que defendiam sua extinção e a deixar seus usuários a própria sorte passaram a expressar opinião diferente e a ver qual era a verdadeira importância política e estrutural do SUS para atuar contra a pandemia.


Porém, a política de arquitetura parlamentar e institucional do golpe civil fez com que voltasse, pasmem justamente em agosto de 2016, olha aí o mês de agosto de novo dando a cara as suas trágicas e históricas cartadas. Justamente em agosto que começou o governo ilegítimo e golpista de Temer governo que apontou e pavimentou o caminho para que as políticas públicas de grande alcance social fossem descontinuadas ou simplesmente acabadas ou congeladas, assim como a proposta de Emenda Constitucional 95 que congelou por 20 anos os gastos do Estado congelando o teto de gasto da união e somente repassando para os estados e municípios a inflação do período em cima do repasse da União, o que com o tempo irá ter conseqüências imprevisíveis nas políticas públicas e nos programas sociais que sobraram em todas elas sem nenhuma exceção, por que fará com que a função do estado se estrangule e que essas políticas públicas dos tempos dos governos democráticos e populares praticamente desapareçam, dando vazão a política de Estado mínimo que os patrocinadores financeiros e eleitorais do golpe 2016 e desse desgoverno das elites tanto querem.


Isso trouxe uma grande desestrutura de todo nosso parque tecnológico. Com uma política adotada de se desfazer, não do que dava prejuízo ao Estado, mas pelo contrário, se desfazendo do que de fato atendia população e dava condições objetivas ao Estado da manutenção dessas políticas públicas. Ou seja, é um processo cruel de desmonte e de privatizações que passou a ser feito e esta sendo feito por está elite.


Pensadores da economia dizem que o Estado por não ser uma empresa e por não ter donos, não tem que ter lucro, ou seja, superávit - leia-se, pagamento de juros dos credores de títulos do governo - E claro também não pode dar prejuízo, por que isso aumenta impostos e a conta acaba caindo sobre os cidadãos. Mas o que faz o desgoverno Bolsonaro? Entrega de mãos beijadas o nosso patrimônio e. Aliás, o que já vinha sendo feito pelo ilegítimo Temer. E na outra ponta mantinha intacta a posição política de pagamento dos juros da divida pública, que só cresce dia a pós dia, consolidando a visão do mercado e do capital.


Mas o capitalismo é selvagem e principalmente covarde, pois ao primeiro assopro de que precisa ter e assumir responsabilidades diante de numa pandemia mundial como a que estamos vivendo, o que faz? Diz que o Estado é que tem que prover as condições essenciais de sobrevivência do povo. E isso não deixa de ser verdade, mas quando as condições são propicias para que a ganância do capital avance sobre o Estado para ter lucros mais lucros sobre as pessoas o Estado tem que diminuir e ser enxuto. Mas quando é o Estado que tem que prover a solução de uma crise sem precedência, o que vemos? Os ideólogos do Estado mínimo dizerem que a responsabilidade é do Estado e não das empresas e do capital privado. Que é o Estado é que tem a responsabilidade de enfrentar a pandemia de coronavírus. Ou seja, tentam se esvair, fugir do eterno discurso que o Estado é um elefante branco.


Portanto. E essa a lição que temos que tirar desse processo de mundial de pandemia, onde o Estado é forte e presente com suas políticas públicas como o SUS, onde o enfrentamento do coronavírus é feito de forma diferente e responsável, onde o Estado não esta presente é o Caos que observamos em sistemas como o dos EUA, que sofre e oscila constantemente entre a diminuição e o aumento de casos e não consegue dar uma resposta coerente de combate a doença chegando ao topo do número de mortos. Por isso, precisamos compreender o papel do Estado e das políticas públicas e dos programas sociais para o desenvolvimento da sociedade sob risco de continuarmos a ver o que vermos o que esta acontecendo no Brasil nos dias de hoje, os super ricos, cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e sem a proteção de um aparelho de Estado que deveria lhe prover.


Assim, é nosso dever e temos que todos os dias que lutar em defesa do fortalecimento dos programas sociais que incluem as pessoas e também defender o SUS por que se não fosse por ele, esse mês de agosto seria muito mais trágico. Principalmente pela postura irresponsável e infantil do principal mandatário de nossa nação, o presidente. Então, só nos resta o dialogo com as pessoas para que cuidem se e que podendo fiquem em casa, e não podendo sempre usem máscara e principalmente conscientizem de que o governo de Bolsonaro e Guedes é o governo da necropolítica, do entreguismo e que fará o Brasil figurar entre os países do mundo onde mais tombaram mulheres e homens vitimas do coronavírus.

MARCIO KIELLER

PRESIDENTE DA CUT PARANÁ E MESTRE EM SOCIOLOGIA POLÍTICA PELA UFPR


O artigo assinado, não representa a opinião deste site

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