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A SELETIVA E PERSECUTÓRIA OPERAÇÃO LAVA JATO ENTRE A CRUZ E A ESPADA

Atualizado: 30 de jul. de 2020



Nesse último mês em que a operação lava Jato esteve sobre pressão política todos os brasileiros e brasileiras puderam acompanharam o seu esforço de sobrevivência onde teve que cortar na carne e começar a entregar os seus prediletos do PSDB, como o Senador José Serra e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmim, além de alguns empresários ligados a esses políticos.

Os últimos acontecimentos relativos à operação Lava Jato nos dão razão quando dizíamos que ela tinha um recorte e um viés político extremamente seletivo e persecutório, muitos se levantaram para defendê-la, muitos não acreditaram e diziam que eram os corruptos esperneando. Mas agora com esses fatos do indiciamento de alguns tucanos, talvez muitos passem a acreditar nesse caráter seletivo da operação Lava Jato que era capitaneada pelos procuradores do Ministério Publico Federal e pelo ex-Juiz Federal, que deixou ser juiz para ser Super Ministro de quem ajudou explicitamente a eleger. Atualmente já não é mais ministro por que se mostrou em rota de colisão direta com o Presidente Jair Bolsonaro, por que o mesmo começou a esboçar seu autoritarismo e intervindo na Polícia Federal, gerando um gigantesco desconforto e obrigando a saída do Juiz Sérgio Moro da vala comum da velha política transvestida de “nova” de um grupo que se locupletou e se locupleta do poder por quase 30 anos fazendo da política profissão e negócio para a família toda.

Mas como dizíamos talvez muitos agora possam dar um pouco de atenção a explicação sociológica do funcionamento do estado brasileiro, onde o problema é o sistema político, suas amarras e a forma que está organizado. E não as pessoas. No Jogo da política tradicional que há muitas décadas prevalece no Brasil o sistema é organizado para atender aos grupos familiares tradicionais, que se nos debruçarmos com pouco esforço veremos que são famílias que transferem o poder de atuação política entre os seus por diversas décadas. O Sistema político brasileiro é voltado para a perpetuação desses grupos políticos que se mantém no poder através da distribuição de cargos e proventos e, leia-se aí, todos os tipos de corrupção, manobras do sistema eleitoral que pela pressão da sociedade busca se adequar, mas sempre sem fazer grandes concessões sociais e sem permitir que se possa a ter uma faceta totalmente democrática e transparente. Ou seja, isso seria imaginável para esse modelo de sistema político que temos no Brasil através dos tempos. Para Constatarmos isso basta darmos uma despretensiosa olhada para a história política da república e veremos que essas tentativas de aperfeiçoamento administrativos na prática buscavam deixar a política como ela sempre foi, instrumento de locupletação de grandes grupos familiares que estendem os laços para alianças políticas e empresárias que há tempos dominam a política no Brasil.

Se observarmos nos tempos da ditadura civil e militar tinha se um regramento político que chegava ter expressão policialesca de não permitir o estabelecimento do contraditório, o que nos fez viver por muito tempo na política do “Sim” ou do “Sim Senhor”, excluindo do jogo eleitoral e político àqueles que pensavam diferente ou não estavam entre os grupos empresariais e familiares dos aceitos. Nesse período vimos coisas escabrosas na política como a lei Falcão, que limitava a apresentação de um breve currículo dos que tinham pretensão de ter algum cargo como vereadores, deputados estaduais e federais que só podiam concorrer a cargos políticos proporcionais dentro do padrão que a ditadura civil e militar instalada no Brasil a partir 01 de abril de 1964 permitia. E quando conseguiam essa permissão geralmente se dava por que comungavam com as regras vigentes pela força ditatorial, e aí a coisa correia solta e todos que desse processo participavam tinham recursos financeiros e materiais injetados em suas campanhas políticas, de forma nada transparente. Isso sem falar nos cargos que a ditadura civil e militar transformou em cargos biônicos, como o caso da condução pelo executivo federal e estadual, onde deixavam de serem eleitos pelo povo os prefeitos, governadores e senadores da república e os demais que podiam concorrer tinham que se enquadrar no formato que descrevemos acima da lei eleitoral denominada de lei Falcão,

Essa foi à realidade política do país durante 21 anos de duração do regime militar que só começou a ter alguma transformação com a luta política mundial, com o afrouxamento das ditaduras no Cone Sul, como na Argentina, no Chile, Paraguai, Brasil e em outros países. No Brasil esse movimento de ascensão da anterior a organização de partidos de esquerda de fortalecimento do movimento sindical de clara influência das sociais democracias européias, com algumas mudanças importantes a partir das greves do setor metalúrgico no final dos anos 70 propiciando que houvesse uma maior a participação política e o surgimento de movimentos que viriam a ser partidos de esquerda tempos depois. E essas mudanças começaram a ser exigida a partir das eleições de 1982 e foram aprofundadas depois pelas Diretas Já, em 1984. Que trouxe um leque novo de partidos para o processo eleitoral das eleições de 1986, quando junto com as eleições foi eleito Congresso Nacional Constituinte, a que pese ainda extremamente calcado nas famílias políticas tradicionais permitiu uma certa participação de movimentos e partidos políticos novos que formularam uma nova carta magna para o Brasil, carta essa que só foi consolidada com a promulgação da Constituição Federal de 1988 que acertou o processo de eleições gerais pra 1989 que elegeu o depois cassado Collor de Mello.

De lá para cá, que o observamos foi um avanço da democracia popular por um enfraquecimento mundial do neoliberalismo de Thatcher e de Reagan, no final dos anos 80, com sua política do Consenso de Washington que imperou no Brasil durante toda a década de 90 e começou a se enfraquecer com a ascensão mundial de movimentos de esquerda e progressista, principalmente pela Europa que teve reflexos na política da América Latina. O que na virada do milênio acabou permitindo o Ascenso de governos democráticos e populares em diversos países da América do Sul e também aqui no Brasil.

O preâmbulo sociológico construído anteriormente nos auxilia para descrever que o problema da corrupção de hoje e de sempre. Corrupção essa presente nesses modelos de sociedade de forma sistêmica através dos tempos o que justamente coroa o que dissemos que é sistêmico e aqueles que entram no jogo e não concordam em jogar com as regras estabelecidas são tirados abruptamente e geralmente saem do jogo, injustiçados e condenados muitas vezes de forma injusta e sem provas, pois essas famílias e grupos políticos tradicionais estão inseridos em todas as esferas da sociedade a começar pela imprensa, ou seja, nos veículos tradicionais de comunicação, a televisão a qual o sociólogo Francês Maurice Duverger chamada de mito na sala de jantar.

Em 2002 chega ao poder o Partido dos Trabalhadores de Lula, o PT que optou por uma aliança ampla de forças para chegar ao poder. Forças essas que já estavam acostumadas com a ciranda da corrupção instituída e historicamente giram perifericamente em torno do poder. Mas dentro das possibilidades buscou governar construindo políticas públicas e aumentando a distribuição de renda, mas como no seu leque de alianças estavam nomes ligados aos mercados e aos bancos que continuaram mesmo com a maior distribuição de renda ganhavam ainda muito dinheiro no Brasil. Mesmo com o PT apresentado para o país um viés desenvolvimentista que chegou a ter durante o primeiro governo democrático e popular de Dilma quase atingiu pleno emprego. E isso tudo resultou em apoio popular e condições econômicas para tocá-lo em a frente, tese confirmada pela a reeleição da presidenta Dilma em 2014.

O ódio expresso por essas elites, famílias e grupos políticos tradicionais é tão grande que em geral não ficam tristes ou preocupadas em estarem perdendo, mas muito pelo contrário, ficam tristes e não se conformavam com a melhora dos outros. Não se conformam em dividir os bancos de avião, ou não aceitavam passear nos mesmos shopping centers com as classes sociais em ascensão. E a sua maior revolta política era por terem sido apensadas do poder de Estado em 2002, fez com que se somasse na aplicação do golpe de 2016.

E foi isso que o aconteceu com o presidente Lula através da operação da Lava Jato e do juiz político e amigos dos tucanos. Num projeto político de devolver a administração do país para grupo políticos que tinham visão conservadora e de dependência do Estado Unidos. Apostaram nesse processo de desqualificação política do presidente sem crimes e sem provas, pois se apegaram em que? Num apartamento comprovadamente que não é de Lula, porque, pasmem, foi até dado em garantia em negócios da construtora que o construiu e um sítio de um amigo de Lula que foram atribuídos a ele. Então, imaginem o grande “chefe” do esquema de corrupção na Petrobras e nas empreiteiras do país, fora condenado por um sitio e um apartamento que até a própria operação Lava Jato, não afirma que é dele, mas atribui a ele esses bens, o que tem uma grande diferença e como disse até hoje não conseguiram provar que eram dele e através desses factóides armaram a farsa do powerpoint do Dallagnol, com apoio político das elites política mais ricas, atrasadas, retrogradas desse país conseguiram desmontar uma proposta de desenvolvimento estrutural do país que há muito tempo não se via. E a essa forma de desmonte só foi possível através da arquitetura e a aplicação do golpe político e institucional de 2016. Pois a leitura das hostes conservadoras era que sem um golpe seria muito difícil ganhar as eleições do Partido dos trabalhadores nas urnas. E para enterrar de vez a possibilidade de volta do PT ao governo era preciso radicalizar. Afinal, mesmo com todas as tentativas da imprensa marrom o ex-presidente Lula figurava na liderança da corrida eleitoral de 2018. E a radicalização veio pela ação do Juiz político, Sérgio Moro decretação sua prisão. Prisão injusta que o ex-presidente Lula sofreu de forma arbitrária e sem direito a defesa nos termos da Constituição Federal, que diz que ninguém pode ser preso até que tenha seu caso transitado e julgado.

Por isso se organizou no Brasil e no mundo um movimento político sem precedentes pela libertação do ex-presidente Lula, pois todos sabiam que ele era inocente e não estava tendo direito a um julgamento justo e honesto e somente fora preso para que ficasse fora do jogo eleitoral. E o povo resistiu e desse processo de resistência política que entrou para a história política do Brasil nasceu a Vigília Lula Livre e o movimento Internacional por sua Liberdade que fincou o pé em resistência e o libertou depois de 580 dias de resistência política deixando sua voz mais altiva e forte nesse período, pois Lula acompanhava e falava sobre política de dentro da Cadeia e se não fossem as manobras judiciais e eleitorais poderia ter concorrido à presidência, processo no qual foi substituído pelo ex Prefeito de São Paulo Fernando Haddad que concorreu à presidência em seu Lugar.

Mas como diz um velho ditado: “à verdade é filha do tempo.” E a operação Lava Jato, foi desmascarada pelo Intercept do Jornalista Glen Greenald, o mesmo que desmacarrou o EUA no Caso Snodew e construiu aqui uma narrativa diferente onde desmontou e demonstrou as ações arbitrárias e ilegais da operação Lava Jato, numa operação denominada de operação Vaza a Jato e demonstrou a grande farsa montada. E agora a operação Lava Jato esta entre a cruz e a espada para não cair num ostracismo político e de reconhecimento total.

Assim a operação Lava Jato busca se salvar e para isso começa começar a cortar na carne e entregar aqueles sempre preservou, como José Serra e Geraldo Alckmin, não por que não sabiam dos processos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes que esses eleitoralmente também cometiam, pois como sociologicamente dissemos é sistêmico. E a operação Lava Jato pretende ter um mínimo de respaldo junto à sociedade brasileira como de operação séria e independente vai ter que continuar nessa toada e entregar muitos outros personagens da velha política tradicional, contrariando seu objetivo inicial uma que era através de uma atuação seletiva tirar o Partido dos Trabalhadores do Poder, desmontando o parque industrial e tecnológico, facilitando a entrega das riquezas naturais como o Pré-sal para grandes grupos petrolíferos estrangeiros. Ou seja, em devolvendo a condução do país as velhas oligarquias políticas e econômicas que sempre mandaram no governo no Brasil e que acreditam na teoria da dependência dos países grandes, por que não vê o Brasil como um país com condições objetivas de auto-sustentabilidade.


Marcio Kieller

Presidente da CUT/PR e Mestre em Sociologia Política pela UFPR


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