A PLATAFORMA DA CLASSE TRABALHADORA DO PARANÁ PARA AS ELEIÇÕES DE 2020
- Jornal do Juvevê
- 25 de set. de 2020
- 4 min de leitura

Novamente o Paraná e o Brasil irão às urnas em 2020. Depois de quatro anos de efervescência política causada por um golpe institucional e parlamentar desferido em 2016, depois que setores mais conservadores do país se deram conta de que por eleições democráticas, limpas e com participação popular não conseguiriam acabar com o forte período de políticas sociais desenvolvidas pelos governos democráticos e populares de Luís Inácio Lula da Silva de e Dilma Rousseff ambos eleitos democraticamente pelo partido dos trabalhadores, o PT em eleições históricas.
Agora, ao se aproximar novamente o período eleitoral é necessário que façamos a leitura clara e objetiva dos acertos políticos e também dos equívocos que se cometeram nesses governos para que possamos passar a limpo a nossa plataforma da Classe Trabalhadora, no sentido de novamente apresentá-la aos pretendentes aos executivos, leia-se prefeituras e vice-prefeituras municipais e aos legislativos municipais, leia-se câmara de vereadoras e vereadores.
Das lições que tiramos desses momentos de turbilhão que enfrentamos no Brasil é imperativo que voltemos nossos olhares para as nossas cidades e câmaras de vereadores que precisam deixar de ter composições conservadores, para esses tempos de enfrentamento dessa pandemia de gripe mundial de coronavírus. Não teremos tempos macios nessa tarefa. Por isso é preciso que dialoguemos muito com as trabalhadoras e trabalhadores para que possamos convencê-los que de pouco adiantará elegermos novamente governos democráticos e populares, se não conseguirmos dar as cidades e aos seus governos municipais uma plataforma de reivindicações forte e concreta de sustentação, calcada na eleição de mulheres e homens que tenham outra visão de sociedade, mais justa fraterna e igual. O que só ocorrerá através da composição de chapas fortes e com as mais bem preparadas mulheres e homens para as discussões que as cidades e a conjuntura do momento delicado em que vivemos exigem. Mulheres e homens que nos proporcionem a eleição de uma bancada progressista de muitas vereadoras, vereadores, prefeitas, prefeitos e vice-prefeitas e vice-prefeitos para a sustentação a possíveis governos municipais democráticos e progressistas que necessitaram de uma composição forte, presente e antenadas as necessidades do povo que representa e, que estejam espalhadas pelo estado do Paraná inteiro.
Como já não bastasse a continuidade até os dias de hoje do golpe parlamentar e institucional que vivemos no Brasil, a situação política para as trabalhadoras e trabalhadores nas cidades do Paraná, não está e nunca esteve fácil, nesses tempos de Governo Ratinho Junior e do desgoverno Jair Bolsonaro. A começar com a violência moral e que muitas vezes tem se traduzido em violência física para cima dos direitos do povo, principalmente para cima dos direitos dos servidores públicos, municipais, estaduais e federais no sentido de mexer em suas estabilidades, como já fizeram em suas aposentadorias. Fato político que pode gerar para o governo de Ratinho e seus séquitos das prefeitas municipais e câmara de vereadores por todo o Paraná. O maior desgaste histórico e político, só comparado com o que ficou conhecido como o Massacre de 29 de abril, onde, o ainda governo Richa antes de ter sido esculachado da atuação política paranaense, por ter agido de forma violenta com o povo e em suas ações de tentar mexer na previdência dos servidores estaduais e professoras e funcionários do ensino médio do Paraná que resistiram ao meio dos estouros das bombas de efeito moral e de balas de borrachas transformando o Centro Cívico numa verdadeira praça de guerra com mais de duzentas pessoas feridas. Custo político, que não foi esquecido nas eleições de 2018, onde Richa teve uma votação fracassada para o Senado Federal.
Apesar de a direita ter perdido as eleições para a extrema direita brasileira, onde golpe de classes de 2016 que exclui o candidato popular com mais chances eleitorais do processo das eleições que ainda nos dias de hoje estende seus reflexos por todas as áreas e ramos das atividades sociais e econômicas, afinal, por ter sido um golpe de classe trouxe em seu bojo essencialmente a retirada de direitos, através de uma gama de facilidades para os setores empresariais, como por exemplo, a reforma trabalhista e o enxugamento da máquina do Estado através de leis como a Emenda Constitucional 95 que congelou por mais de vinte anos os investimentos em políticas públicas desenvolvidas pelo Estado. Isso aliado a uma série enorme de transformações e desmonte do Estado, como vimos na entrega dos nossos recursos do Pré-sal para as grandes indústrias petrolíferas mundiais e da também tentativa de entrega dos bancos. Ou seja, optando por uma volta da entrega dos nossos recursos naturais e estruturais para a gananciosa e avarenta iniciativa privada. Essa tendência de desmonte do Estado em outros países do mundo esta totalmente no sentido inverso, pois as sociedades esclarecidas viram que nas privatizações e nas concessões que o Estado faz de setores estratégicos, que quem perde sempre é a população, com o aumento de tarifas, baixa da qualidade dos serviços entregues pelas concessionárias e seus donos que colocam em primeiro lugar a obtenção gananciosa do lucro.
Nesse sentido e concatenados com os anseios das trabalhadoras e trabalhadores é que procuraremos apresentar a seguir alguns eixos norteadores do pensamento do movimento sindical CUTistas para contribuir com ideias para um bom plano de governo, plural, democrático, independente e com uma visão laicizada dos instrumentos públicos de representação popular que são as prefeituras e câmaras de vereadores e conseqüentemente os executivos estaduais e o nacional, assim como o Congresso Nacional e o poder Judiciário.
Essa plataforma eleitoral será o norte apresentado pelas nossas candidaturas aos executivos municipais e também as nossas candidatas a vereadoras e vereadores construir e se constituir em uma plataforma política que possa evidenciar os esforços da construção de um compromisso social que coloca a classe trabalhadora no centro das atenções das cidades, para buscar construir para todo o povo brasileiro um Brasil mais justo fraterno e igual. E com esse objetivo que a Central Única dos Trabalhadores sempre se debruça em períodos eleitorais para apresentar a Plataforma da Classe Trabalhadora.
Marcio Kieller
Presidente da CUT/PR e mestre em sociologia pela UFPR
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