O COVID-19 E AS PASSEATAS QUE NÃO FUI!
- Jornal do Juvevê
- 24 de jun. de 2020
- 6 min de leitura

Geralmente meus artigos são escritos na terceira pessoa por que procuro sempre abordar temas relevantes para a classe trabalhadora e para a sociedade em geral. Quando faço isso procuro me incluir nos problemas, mas esse artigo vou escrever na primeira pessoa do singular pela importância política de conscientizar as pessoas pelo tema em voga no mundo que é essa doença nefasta denominada Covid-19 (Coronavírus).
Quero falar da experiência sobre o covid-19 e a partir disto das minhas ausências em algumas atividades e manifestações nos últimos dias em Curitiba. Eu não fui a elas não porque não as considerasse importantes, muito pelo contrário reconheço a legitimidade dos temas nelas levantados. Não fui a elas por que a lógica da autopreservação fala e falou mais alto. Não fui por que não quis colocar em exposição a mim, a minha família e as amigas e amigas ao risco de contágio por que essa doença cruel se alastra pelo mundo todo numa velocidade espantosa.
Em janeiro quando estava aproveitando minhas férias em família, como faço tradicionalmente há mais de vinte anos na paradisíaca Ilha do Mel, onde alugo por algumas semanas uma pequena casinha, nessa última vez aluguei uma quitinete na verdade. Pois essas acomodações nos dias de hoje tem todas as comodidades possíveis da vida urbana, com tevê, sinal de internet, enfim, tudo que se precisa para um descanso merecido depois de um ano extenuante de trabalho, tanto meu como de minha companheira e das férias escolares de minhas duas filhas. Como a Ilha do Mel é considerada parte da cidade de Paranaguá, que por coincidência é a cidade onde eu nasci e que fica aproximadamente uma hora de carro de Curitiba a capital paranaense, onde morro nos dias atuais.
Essa pequena distância da capital me permite em havendo necessidade em função das minhas atividades profissionais posso deslocar-me rapidamente até a capital para resolver problemas e encaminhar coisas afeitas ao exercício da presidência da Central Única dos Trabalhadores do Paraná - a CUT/PR, entidade a qual respondo desde novembro de 2019 quando da realização do 14º Congresso Estadual da CUT/PR.
Mas quero descrever aqui como foram os primeiros informes que tive da Covid-19 e como passamos a enfrentar o dia a dia da pandemia desde então. Como havia escrito no começo estávamos Ilhados, no bom sentido do desfrute das férias familiares, na Ilha do Mel começamos a ver nos noticiários o estrago que começava a ser feito pelo COVID-19 que é uma doença causada pelo coronavírus SARS — COV2 naqueles dias ainda denominada de Síndrome Aguda Respiratória Grave – SARG. Na tradução da mídia Internacional, descrita para nós brasileiros com o requinte dos grandes blackbusters de cataclismas e destruições apocalípticas. Como exigência da posição do cargo que ocupo não posso me dar ao luxo de não estar bem atento e informado com as notícias e aos jornais escritos e televisivos e como era a minha tarefa de acompanhá-los diariamente, onde via o caos que a China estava vivendo e como os casos começaram a se espalhar pelos demais países da Ásia e da Europa, ou seja, se espalhou por todos os continentes do mundo.
Em poucos dias a Pandemia tomava um grande número de países. Quando começaram a vigorar os bloqueios de fronteiras aeroviários e rodoviários, nas rodoviárias com a instalação de barreiras sanitárias para impedir que pessoas que tivessem contato com o vírus e estivessem desenvolvendo seus sintomas transitassem entre países e mesmo entre cidades. Enfim pelos jornais começávamos a ver que não se tratava mais de apenas contaminações localizadas, mas ao contrário o vírus já estava se alastrando mundialmente.
E no Brasil, como diz um ditado, as coisas só pegam ritmo após o carnaval. E foi justamente após o carnaval que as autoridades sanitárias brasileiras constataram o aparecimento do primeiro caso de coronavírus no país exatamente no dia 26 de fevereiro e a partir daí começamos a entender de fato a gravidade do problema, que foi se agravando dia a dia. Até chegar o momento que as autoridades sanitárias orientaram o começo do isolamento social. Porém, na contramão da história o próprio presidente dizia se tratar apenas de uma “gripezinha” e se colocava frontalmente contra a política desenvolvida pelo seu próprio Ministro da Saúde o que levou a demissão deste por que o mandatário da nação havia comprado o discurso do mercado, que iriam morrer muitos CNPJ, sem se importar com a quantidade de CPF que se perderiam durante a pandemia, lido na transcrição literal da frase que muitas empresas e negócios poderiam morrer se as autoridades sanitárias de saúde continuassem a querem salvar somente as vidas por trás dos CPF´s.
Nessa toada, o governo Bolsonaro/Mourão trocou duas vezes de ministro da saúde e que hoje o Ministério da Saúde ainda conta com um ministro interino, sem uma indicação definitiva, isso num quadro político em que já se passa de mais de 1.100.000 casos de Coronavírus com mais de 51.000 vidas perdidas e, as autoridades sanitárias afirmam que estamos na curva ascendente do vírus no Brasil. Por todos esses graves e desastrosos motivos é que impera ainda a necessidade de que se reforce a política o isolamento social e não ao contrário se faça o seu afrouxamento. Por que senão teremos uma constante de casos que ligados ao afrouxa ou não afrouxa o isolamento, o que nos levaria a correr o risco de emendar uma segunda onda da pandemia, elevando consideravelmente o número de mortos vitima da pandemia.
Neste sentido é que continua valendo muito as orientações das autoridades sanitárias da continuidade do isolamento social com a estrita interpretação do que são setores essenciais. E para isso todos têm que dar parcela de contribuição para que possamos enfrentar essa crise e sair dela com a preservação da vida das trabalhadoras e trabalhadores com um mínino de dignidade. Incluindo nisso o reconhecimento da importância de termos no Brasil um Sistema Único de Saúde o SUS, que mesmo fragilizado pela política de Estado mínimo do Governo Bolsonaro/Guedes e o pouco compromisso e luta no combate ao vírus, muito pelo contrário agem no sentido da desqualificação da pandemia, inclusive com a proposição de enfrentá-la com remédios polêmicos e sem comprovação cientifica de efetivo no combate a doença.
E nesse ínterim o mundo acompanhou uma revolução social e popular exigindo o respeito dos governantes para a vida das pessoas mais necessitadas, que teve seu ápice com o assassinato do homem negro, chamado George Floyd pelos policiais que causaram protesto nos Estados Unidos e posteriormente se alastrou para todos os continentes do mundo com o recado alto e bom tom que “Black lives matter!” trazendo para o português os protestos e o slogan” Vidas Negras Importam!” E que se popularizou mundialmente. E o Brasil também chamou efetivamente uma série de atos destacando o chamado principal no protesto que vidas negras importam, lembrando vários casos que aconteceram no Brasil como as mortes dos meninos João Pedro, vitima da polícia do Rio e do menino Miguel que caiu de um prédio depois de ser deixado sozinho por uma madame da alta sociedade e também voltaram a ganhar espaço e tônica a questão do assassinato da Vereadora Marielle, exigindo resposta de sobre quem mandou matar Marielle. Misturado aos protestos e as causas sociais como a retirada de direitos pelas reformas e a demora do governo em atender aos mais necessitados na crise do Coronavírus, com o auxílio emergencial e o combate das políticas do Governo Bolsonaro através de MP`s tenta implementação de sua política econômica que cada dia tira mais direitos e conquistas da classe trabalhadora para poder facilitar a vida do grande empresariado nacional e internacional o que reveste de importância fundamental esses atos que foram organizados.
Mas é necessário ter muita cautela, pois o momento exige reflexão e inteligência para conter e combater o vírus e não é com aglomerações e rompimento do isolamento social que isto irá acontecer, ao contrário, é com o aprofundamento do isolamento e com políticas de proteção da vida do emprego e dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores. E a proteção a vida que nesse momento difícil da humanidade requer que as pessoas fiquem em casa, para que logo possamos acabar com o vírus e retomar a vida normal. E para me proteger as trabalhadoras e trabalhadores é que infelizmente depois de mais de 30 anos de militância sindical e social, não incentivei que ninguém fosse e também não fui às ruas nas últimas manifestações. Por que a vida esta em primeiro lugar. Na economia daremos um jeito, espero que solidário e fraterno de recuperar mantendo não só a vida, mais também os empregos e a renda das trabalhadoras e dos trabalhadores.
E finalizar reforçando o momento é de, se puder que fique em casa, se tiver mesmo que sair que saia usando de máscara e que tenha sempre a mão o álcool em gel para se proteger e para também proteger nossas famílias e àquelas que trabalhadoras e trabalhadores dos setores essenciais, que ao não pararem de trabalhar possibilitam que eu, você e milhões de pessoas possam ficar em casa.
MARCIO KIELLER
PRESIDENTE DA CUT PARANÁ E MESTRE EM SOCIOLOGIA POLÍTICA PELA UFPR
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