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MULHERES ESTÃO REALMENTE INTEGRADAS NA POLÍTICA?

  • 19 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Recentemente o assunto que tomou conta das redes sociais foi a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no que tange o enfrentamento do governo para com a COVID-19.

Cada grupo partidário precisou indicar um senador para as 11 vagas titulares e 7 vagas suplentes da comissão. No entanto, nenhuma mulher foi escolhida para integrar a comissão que vai apurar as ações e omissões do governo federal neste momento de pandemia.

Em primeiro lugar, observa-se que dificilmente a CPI terá enfoque em olhar questões de gênero uma vez que será conduzida por 18 homens. Em um momento de pandemia, onde as mulheres foram diretamente afetadas, seja por aumento de jornada de trabalho, por ter que cuidar de alguém na pandemia, por


Camilla Gonda perder o emprego ou por sofrer algum tipo


de violência doméstica ou familiar, aparentemente a pandemia no olhar das mulheres, não será observado.

Para ser mais exata, 8.4% das mulheres afirmaram ter sofrido alguma violência do período de isolamento social, 50% das mulheres brasileiras passaram a cuidar de alguém na pandemia, 41% das mulheres que seguiram trabalhando durante a pandemia com manutenção de salários afirmaram trabalhar mais na quarentena. Esses dados são do relatório da pesquisa Sem Parar que avaliou o perfil de 2.641 mulheres brasileiras.

A representação de mulheres no senado já é baixa, dos 81 senadores, apenas 12 são mulheres. Afastá-las dos espaços de poder e decisão dentro das casas também é uma forma de excluir a pauta feminina do debate e de centralizar o poder.

Não é novidade para ninguém que esses espaços são ocupados por sua maioria por homens brancos, no entanto, faz-se necessário ocupar esses espaços para que cada vez mais sejamos representadas.

Agora te pergunto: Uma comissão que contém 18 homens olhará a pandemia através das mulheres?

Camilla Gonda, acadêmica de direito pela PUCPR e ciências sociais pela UFPR. Pesquisadora em Ciência Política pela UFPR.


Camilla Gonda - Acadêmica de Direito pela PUCPR e Ciências Sociais pela UFPR. Pesquisadora em Ciência Política pela UFPR.




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