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Contas externas têm saldo positivo de US$ 868 milhões em março

  • 24 de abr. de 2020
  • 4 min de leitura

É o primeiro superávit desde junho de 2017


Foto: Agência Brasil/Marcello Casal Jr.


As contas externas registraram saldo positivo de US$ 868 milhões em março, informou hoje (24) o Banco Central (BC). Em março do ano passado, houve déficit em transações correntes (contas externas), que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, de US$ 2,664 bilhões. É o primeiro superávit desde junho de 2017 (US$ 431 milhões).


“Na comparação com março de 2019, a mudança no sinal das transações correntes decorreu, principalmente, do recuo do déficit na renda primária [lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários], US$ 2,7 bilhões. Também houve incremento de US$ 360 milhões no superávit da balança comercial de bens e redução no déficit na conta de serviços, de US$ 569 milhões”, diz o BC, em relatório divulgado hoje (24).


No primeiro trimestre, as contas externas registraram déficit de US$ 15,242 bilhões, contra US$ 15,043 bilhões em igual período de 2019.


O déficit em transações correntes nos 12 meses encerrados em março de 2020 somou US$ 49,651 bilhões (2,80% do Produto Interno Bruto - PIB), ante US$ 53,183 bilhões (2,96% do PIB), em fevereiro deste ano.


Balança comercial

As exportações de bens totalizaram US$ 19,296 bilhões em março e as importações, US$ 15,108 bilhões, resultado no superávit comercial de US$ 4,189 bilhões. No primeiro trimestre, o superávit comercial chegou a US$ 3,636 bilhões, ante R$ 3,829 bilhões do mesmo período de 2019..


Serviços

O déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de investimentos, entre outros) atingiu US$ 1,779 bilhão em março, ante US$ 2,348 bilhões em março de 2019.


No primeiro trimestre, o saldo negativo chegou a US$ 6,852 bilhões, ante US$ 7,544 bilhões de janeiro a março de 2019.


No caso das viagens internacionais, as receitas de estrangeiros em viagem ao Brasil chegaram a US$ 385 milhões, enquanto as despesas de brasileiros no exterior ficaram em US$ 612 milhões. Com isso, a conta de viagens fechou o mês com déficit de US$ 227 milhões. No acumulado do ano até março, o saldo negativo é de US$ 1,486 bilhão.


Neste mês, até o dia 22, as receitas chegaram a US$ 93 milhões e despesas de US$ 172 milhões, com déficit de US$ 79 milhões.


Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, as viagens internacionais sofrem efeito da pandemia de covid-19. “A pandemia de covid-19 e as medidas para conter sua disseminação têm afetado a atividade econômica no mundo inteiro, em especial o turismo internacional. Essas medidas, de fato, impactam as receitas e as despesas da rubrica viagens internacionais. A desvalorização cambial torna mais cara a realização de despesas de brasileiros no exterior, tendendo a reduzir esses gastos”, disse.


Rendas

Em março de 2020, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) chegou a US$ 1,637 bilhão, contra US$ 4,294 bilhões em igual período de 2019. No primeiro trimestre, o saldo negativo ficou em US$ 12,306 bilhões, ante US$ 15,246 bilhões em igual período do ano passado.


Rocha disse que a conta foi afetada pela redução nas despesas com pagamento de lucros e dividendos e gastos com juros. “O menor ritmo da atividade econômica influenciou o desempenho das empresas.”


Ele acrescentou que no primeiro trimestre houve redução de 9% nos gastos com juros, por influencia da evolução do estoque de dívida e das taxas de juros internacionais.


“Adicionalmente, a depreciação cambial [alta do dólar] contribuiu para reduzir o valor dos juros pagos em reais quando expressos em dólares”, afirmou.


A conta de renda secundária (gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) teve resultado positivo de US$ 95 milhões, contra US$ 149 milhões em março de 2019. No primeiro trimestre chegou a US$ 279 milhões, contra US$ 190 milhões do trimestre anterior.


Investimentos

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 7,621 bilhões no mês, ante US$ 4,777 bilhões em março de 2019. De acordo com o BC, o fluxo foi composto por ingressos líquidos de US$ 2,284 bilhões em participação no capital e de US$ 5,336 bilhões em operações intercompanhia.


No primeiro trimestre, o IDP chegou a US$ 19,235 bilhões, ante US$ 18,287 bilhões de janeiro a março de 2019.


Nos 12 meses encerrados em março de 2020, o IDP totalizou US$ 79,507 bilhões, correspondendo a 4,49% do PIB, em comparação a US$ 76,664 bilhões (4,27% do PIB) no mês anterior.


Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo.


Em março, a saída líquida de investimento em carteira no mercado doméstico somou US$ 22,228 bilhões, contra US$ 204 milhões de saída líquida em igual período de 2019. No caso das ações e fundos de investimento, a saída totalizou US$ 7,604 bilhões. A saída líquida de títulos foi maior, chegou a US$ 14,624 bilhões.


No primeiro trimestre deste ano, houve saídas líquidas de US$ 24,135 bilhões nesses tipos de investimento, contra a entrada líquida de US$ 10,509 bilhões observados em igual período de 2019.


Previsões

Para o mês de março, a estimativa para o resultado em transações correntes é de superávit de US$ 2 bilhões, enquanto a de IDP é de ingressos líquidos de US$ 1,5 bilhão.


Fonte: Agência Brasil

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