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A PANDEMIA DE CORONAVÍRUS E A TRÍADE DO DESCASO



Quando o assunto é o enfrentamento do coronavírus que causa a covid-19, a forma com que muitas prefeituras, diversos governos estaduais e o desgoverno Bolsonaro formam a tríade do descaso. Falo de muitos e dentre eles estão o Governador do Paraná Ratinho Junior e o prefeito de Curitiba Rafael Greca.


Essa opinião a cerca de como as três esferas tratam o problema da pandemia já era expressa anteriormente quando só se falava de combater ao vírus com ações de isolamento social e o respeito às orientações sanitárias e de saúde. Com a chegada das vacinas para imunização da população, o quadro se complicou. O que não deveria acontecer, afinal o Sistema Único de Saúde tem as condições objetivas para implementar uma grande campanha de vacinação.


Mesmo sucateado e sem os investimentos reais que necessita, ainda assim o SUS é e continua sendo a melhor alternativa em termos de organização e logística da saúde que aconteceu nas últimas décadas no Brasil, principalmente para coordenar um processo nacional de vacinação. Se houvesse seriedade por parte do desgoverno federal no enfrentamento do covid-19, não estaríamos com caos que estamos na saúde: situação em que já se ultrapassou mais de 10.000.000 de casos da doença, com mais de 250.000 mil mortes.


Num primeiro momento via-se que a irresponsabilidade sanitária partia somente do desgoverno federal. A pandemia aumentou de sobremaneira as dificuldades financeiras das trabalhadoras e trabalhadores que já sofriam com os impactos das reformas trabalhistas e da previdência e foram os alvos das políticas de restrições de presenças no trabalho impostos pelo isolamento social. Foi por esse motivo que os partidos de esquerda e progressistas, incentivados pelas mobilizações sociais feitas pelas centrais sindicais, lutaram para que o auxílio emergencial não fosse a transcrição ipsis literis do descaso do governo com a crise, pois esse havia proposto somente R$ 200, 00 reais para que as famílias pudessem enfrentar a pandemia. Mas a pressão do movimento sindical com a atuação dos partidos progressistas dentro do Congresso Nacional fez com que o valor subisse para R$ 600,00 reais, sendo o dobro do valor para as famílias em que a mulher era a cabeça da família. A ação solidária e altruísta das centrais sindicais, federações e sindicatos pelo Brasil inteiro venceu o descaso do desgoverno federal, que tratava o vírus como uma gripezinha.


Mesmo durante o primeiro e mais duro ciclo da pandemia, o que observamos é que o desgoverno federal procurava jogar a culpa nos prefeitos e nos governadores. O Supremo Tribunal Federal garantiu esta visão de que a prerrogativa da forma de enfrentamento ao coronavírus seria adota pelos governos e municípios. Porém, isso em momento nenhum foi uma carta branca para dizer que o desgoverno de Bolsonaro não tinha responsabilidade sobre o problema, pois muito havia para se fazer ainda no que diz respeito ao enfrentamento da doença, a começar por organizar a logística nacional para se preparar para a vinda das vacinas. O que também o governo Bolsonaro não fez. Pelo contrário: o descaso só aumentou e o desgoverno só fez confusões. A começar pelas relações internacionais, que foram dificultadas e, inclusive, o movimento sindical brasileiro, teve que atuar para distensionar as relações entre Brasil e China.


Por outro lado, os governadores de vários estados e prefeitos de muitos municípios, pressionados pelo mercado, principalmente o mercado da Educação (e que se reconheça aqui, foi um dos mais afetado com a crise pandemia, pois milhares de escolas fecharam nesse período como consequência do home office e houve a diminuição dos salários das trabalhadoras e trabalhadores) forçam a barra também para a voltas as aulas presenciais ou em sistema híbrido, porque não há uma lógica que justifique a volta às aulas nas escolas particulares enquanto as aulas nas escolas públicas não voltem.


A situação nas escolas públicas ultrapassa o limite do aceitável, porque quem vai ministrar as aulas daqueles alunos que aceitarem vir para as salas de aulas, são as mesmas professoras e professores que deverão atender simultaneamente aos estudantes que permanecerem em casa. Ou seja, elas e eles terão que trabalhar dobrado, porque com certeza não haverá chamada de concurso público ou mesmo a chamada de professoras e professores através de processos de seleção simplificados para a distribuição dessas aulas a mais, o que seria muito sensato, pois haverá uma exploração da mão de obra dos professores para que se possa atender de maneira síncrona ao sistema híbrido de ensino.


Mas o fato é o seguinte, não há como aceitar o descaso desta tríade municipal, estadual e o desgoverno federal com relação à pandemia pura e simplesmente para atender às exigências do mercado de ensino e a lógica do lucro por si mesma. O que devemos falar alto e em bom som é que a volta às aulas nesse momento em que se aprofunda o número de casos e de óbitos é inaceitável, pois ao contrário o que precisamos é que o desgoverno imponha lockdown nacional, para junto aos passos lerdos da vacinação, possamos reduzir a curva de contágio que só aumenta devido às variantes do vírus que se desenvolveram e são bem mais transmissíveis que as cepas anteriores. Não é hora de brincar de isolamento, é hora de estar isolado; não é hora de pensar somente no lucro, é hora de continuidade do auxílio emergencial; e não é hora de negacionismo, é hora de vacinar o máximo possível.


Somente após essas medidas protetivas e com o avanço da vacinação seria coerente começarmos a pensar a retomar a normalidade das coisas, senão iremos aprofundar a crise que a necropolítica do governo Bolsonaro iniciou e tem sido reproduzida pelos que chamamos de tríade do descaso, no sentido de ficar bem com os setores produtivos da sociedade e com o mercado, estão, inconscientemente, contribuindo para aumentar o número de vítimas da Covid-19, sendo coniventes com a política de descaso do desgoverno Bolsonaro.


O Brasil e o Estados Unidos da época de Trump, eram responsáveis por aproximadamente 1/3 das mortes por covid-19 no mundo. E ainda hoje pagam pela política de descaso com o coronavírus nos momentos que ter dito posturas de enfrentamento diferentes às posições negacionistas e tratamentos precoces cientificamente comprovados como ineficazes no combate à doença, dizendo que não passava de gripezinha. Gripezinha que somente nestes dois países já é responsável por, como dissemos, provocar a morte de 770.923 pessoas.


Por esses motivos é que preciso clamar à sociedade que dê as costas a essa política de descaso implementada por todas as esferas de poder em cidades, diversos estados e no Brasil pelo desgoverno Bolsonaro. Façamos uma corrente do bem, uma corrente em defesa da vida, uma corrente em defesa dos empregos e dos direitos, uma corrente em defesa da vacinação para todas e todos o mais breve possível, com o fortalecimento do único instrumento com condições objetivas de fazer uma campanha de vacinação nacional: o Sistema Único de Saúde. O momento por que passamos é o momento de fortalecermos o isolamento social e, onde for necessário, exigir das esferas de poder definição por Lockdown nacional e garantia de maior eficácia na política de vacinação, com a compra de vacinas dos mais diferentes laboratórios, independentemente da marca ou posição ideológica do governo que as produzem. O momento é de vacinar, vacinar e vacinar, com respeito ao isolamento social para que o mais breve possível possamos retornar ao convívio com os nossos e a normalidade nas nossas convivências sociais.


Também é importante demonstrar para essas três esferas de poder a necessidade que as pessoas mais vulneráveis da população têm e que precisam urgentemente da continuidade do auxílio. Lutar por essas bandeiras de acesso a vacinação e auxílio emergencial são atos de heroísmo social e de compromisso com a vida. Posição que o desgoverno Bolsonaro não demonstra ou demonstrou desde o início da pandemia. Muito pelo contrário: Bolsonaro só que dar aos que o colocaram no palácio do Planalto o que prometeu, que é terminar de acabar com os direitos trabalhistas, que é privatizar e entregar nas mãos de poucos o que é de todos, gera riqueza e facilita a vida de todos, como o sistema Telebrás, a Petrobrás, os Correios. Enfim, deixar tudo mais fácil para as elites acabarem de sugar as riquezas do povo.


Uma grande demonstração disso é a pressão para que o Congresso votasse em regime de urgência a independência do Banco Central.


Para que possamos acabar com a lógica da Tríade do Descaso de muitos governos municipais, estaduais e do desgoverno de Bolsonaro é necessária muita pressão social através das redes, da pressão aos deputados e senadores dos nossos estados, para que não deixem que se entregue o Brasil. Só assim acabaremos com a lógica de enfrentamento político e administrativo do vírus pelos olhos e ações do capital, das necessidades do mercado, da busca gananciosa e constante do lucro, colocando em primeiro lugar a defesa da vida com a vacinação para todos o mais rápido possível, além da luta pela aprovação urgente no Congresso nacional da continuidade do auxilio emergencial para que a classe trabalhadora possa enfrentar esse período de dificuldades com o mínimo de dignidade possível! Temos claro que para conseguir ampliar socialmente essa luta e essas bandeiras, uma mais importante tem que ser empunhada que é a luta pelo impeachment urgente do presidente a frente deste d descaso todo. Fora Bolsonaro!



Marcio Kieller

Presidente da CUT/Paraná e Mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal do Paraná - UFPR

*Esse Artigo não representa necessariamente a opinião do site






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